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Preço baixo do aço /aço
A queda vertiginosa do preço do aço chinês preocupa a indústria siderúrgica brasileira. Desde o ano passado, o governo chinês vem subsidiando o setor com empréstimos a taxas baixas.

Como a demanda no país está reprimida, por causa da crise internacional, o produto entra no Brasil a preços baixos. Um exemplo está na tonelada de chapa grossa, usada na fabricação de máquinas pesadas. A tonelada do produto para exportação custava em fevereiro US$ 575 na China. No Brasil, o preço chegava a US$ 1.220 - mais que o dobro do mercado chinês.

De acordo com a Shanghai Securities News, o estoque chinês de aço subiu de 14 milhões de toneladas em julho do ano passado para 36 milhões em setembro do ano passado.

Com isso, o preço do aço no mercado chinês alcançou, em 2012, o mesmo nível dos preços praticados em 1994. Contraditoriamente, em 2012 a produção de aço na China atingiu, em 2012, o recorde de 716,5 milhões de toneladas.

O temor da indústria brasileira é que, com a recuperação da economia prevista para este ano, o aço chinês invada de vez o Brasil.

Enquanto isso, a produção siderúrgica brasileira apresenta queda, segundo informações do Instituto Aço Brasil, em todos os tipos de produtos. A produção brasileira de aço bruto em fevereiro foi de 2,6 milhões de toneladas, queda de 6,2% quando comparada com o mesmo mês de 2012. No caso dos laminados, a produção foi de dois milhões de toneladas, com redução de 7% na mesma comparação.

A indústria nacional está operando com a capacidade instalada de 70%, quando o normal é trabalhar a 90%, comenta o presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopés.

Ele diz ainda que, além dos chineses prejudicarem a indústria brasileira com a venda direta de aço, também ataca de forma indireta, com a venda de máquinas e equipamento. Para completar, o país asiático está ocupando os mercados preferenciais do Brasil, especialmente na América Latina.

O que acontece agora é que há uma concorrência desleal dos chineses. Sobra dinheiro no país e os bancos públicos subsidiam a produção, para que os parques deles possam operar em 100% da capacidade. Como a demanda local está baixa, eles vendem os produtos para cá a preço baixíssimo. O que a China está fazendo é concorrência predatória, desleal, comenta a diretora da Associação Brasileira de Exportação (AEB), Josefina Guedes.

Para combater a prática desleal de preços, já no ano passado, a Câmara de Comércio Exterior do Brasil (Camex) aumentou a alíquota do imposto de importação da siderurgia para até 25%.

Josefina Guedes, que também é consultora na área, avalia como ineficaz a medida. O governo deveria adotar a tarifa máxima permitida pela Organização Mundial do Comércio (35%). Isso não é protecionismo. É defesa comercial, opina.

Marco Polo concorda, ao afirmar que se existe uma tarifa consolidada de 35%, é ela que devemos usar. Ambos avaliam que o governo brasileiro deve usar outras alternativas para corrigir assimetrias para dar competitividade ao setor, como reduzir a carga tributária e realizar uma política cambial mais favorável às exportações.

Fonte: brasileconomico.ig.com.br