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2014 será um ano difícil /Diante de um cenário de juros elevados.
Diante de um cenário de juros elevados, pressão inflacionária crescente e um calendário afetado pela Copa do Mundo e pelas eleições presidenciais, a indústria de Minas Gerais terá um ano difícil e, em alguns casos, até mesmo perdido, na avaliação de empresários e especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO.

E um bom indicador dos desafios que estão pela frente é o Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (Icei/MG), divulgado ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que confirmou as expectativas pessimistas do setor em relação a 2014. Neste mês, o Icei/MG ficou em 43,8 pontos, abaixo da linha de confiança (50 pontos) e no menor patamar desde o começo da série histórica, iniciada em 2005.

"Isso desestimula os investimentos e dificulta a retomada do crescimento da indústria", destacou a economista da Fiemg Anelise Fonseca. Ela ressaltou, ainda, que a desconfiança dos empresários em relação ao ambiente de negócios foi generalizada em abril, sempre com índices abaixo dos 50 pontos nas empresas de pequeno (41,8 pontos), médio (45,7) e grande (43,8) portes.

Na avaliação do presidente da entidade, Olavo Machado Junior, a manutenção da política de elevação de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, desestimula a economia, tanto na produção quanto no consumo. "Voltar ao pragmatismo de economistas, de que inflação só se combate com juros altos, significa que continuaremos a ter estes problemas. Falta uma política industrial mais ampla. E só nos resta trabalhar", criticou.

Além disso, segundo o presidente da Fiemg, a expectativa que se tinha há cerca de dois anos, de um boom de investimentos em infraestrutura, frente à proximidade com o evento esportivo, não se confirmou e frustrou os empresários. E o pouco que aconteceu não foi aproveitado pela indústria nacional, mas sim por empresas estrangeiras.

"Havia uma perspectiva positiva em relação à Copa do Mundo, mas os problemas são internos, como juros altos e inflação, que fazem a economia ficar Àagarrada". Foram criadas algumas oportunidades, que poderiam se transformar em um mercado importante para a indústria doméstica. Mas perdemos isso para as estrangeiras", afirmou Machado Junior.

Bens de capital - Para o setor de bens de capital do Estado o panorama é ainda pior. "A previsão para este ano é empatarmos com 2013, ou registrarmos uma queda de 2% a 3%, mas o ano passado é uma base fraca de comparação. Não estão acontecendo investimentos e o segmento vive disso", lamentou o diretor regional da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq-MG), Marcelo Veneroso.

Ainda conforme ele, a pior análise é quando se considera que a fraca demanda criada pelos poucos aportes que estão ocorrendo no país está sendo absorvida pela indústria de máquinas e equipamentos estrangeira, graças ao custo Brasil, que envolve elevada carga tributária e logística interna precária, entre outros fatores.

Há cerca de um ano, a indústria de bens de capital do Estado, lembrou Veneroso, operava com uma carteira de seis meses, prazo que caiu atualmente para a metade disso. "Este é um ano perdido para o setor e isso significa mais três ou quatro anos perdidos, porque o segmento emprega mão de obra altamente qualificada e, se houver demissões, demora para repor estes recursos", explicou.

Por fim, a exemplo do presidente da Fiemg, Veneroso também cobrou a adoção de políticas nacionais voltadas para o parque industrial. "O governo tem adotado medidas pontuais, mas é preciso haver um política industrial. A solução tem que ser sistêmica", disse.

Fonte: acobrasil.org.br